18 janeiro, 2013

Perspectivas.


Sorte. Será tudo uma questão de sorte? Sorte no amor. Sorte no trabalho. Sorte em quem se vai conhecendo. Sorte em quem sai. Sorte em quem entra. Na nossa vida. No nosso coração. Será apenas isso?

Não sei.

Mas talvez precisemos apenas de mudar de perspectiva. Azar. Pode ser tudo um azar. Um azar ter-te conhecido. Um azar viver do amor que me dão. Um azar amar quem não me ama o suficiente. Um azar ter de emigrar. Um azar estar longe. Um azar ver alguém afastar-se. Azares no amor. Nas amizades. Azar na vida.

É tudo uma questão de perspectiva.

Nascemos. E a partir desse segundo. A partir da primeira inspiração que estamos sobre perspectivas. Podemos não ser feios. Mas também podemos não ser bonitos. Podemos escrever direito por linhas tortas. Ou escrever torto por linhas direitas. Podemos mudar o mundo. Ou podemos sentar-nos a ver o mundo mudar.

A mudança está em nós. Bem como a perspectiva. Parte tudo de dentro de nós. Parte a dádiva e a fuga. Parte a simplicidade e a complexidade. Partem os sentimentos e a falta deles. Parte a coragem e o medo. Está tudo nas nossas mãos. Tudo. Desde o primeiro dia. Desde a primeira lágrima. Está em nós escolher. Se a lágrima é de alegria ou se é de tristeza. Está em nós escolher se lutamos por nós. Se choramos pela dádiva da vida. Ou se desistimos e choramos à espera da morte.

A vida está nas nossas mãos. A nossa. Temos de agarrá-la com força. Temos de dar cabo de quem lhe quer fazer mal. E proteger quem a quer melhorar. Cabe-nos a nós. À nossa perspectiva. Ser. Sentir. Viver. Lutar. Lutar por nós. Lutar pelos que nos querem bem. E deixar ir. Quem não quer lutar. Quem só quer atrapalhar. Quem só nos quer porque sim. Temos de respirar. Fundo. Muitas vezes. Vezes demais.


É a nossa vida. É a minha vida. Entrego-me quando sinto que tenho de o fazer. Quando espero que façam o mesmo. Atiro-me de cabeça. Com toda a força. Mas por vezes esqueço o pára-quedas. Caio. Magoo-me. Dói. Deixo doer. Deixo a ferida sarar. E só depois me levanto. Entrego-me à vida. A quem me dá vida. Gosto. Amo. Dou. Sou. Sou demais. Sou exagerada. Maluca. Extrovertida. Uma explosão de emoções. Sou. Verdadeira. Intensa. Pura. Sou como só eu sei ser. Não espero o mesmo dos outros. Ao mesmo tempo, espero. Espero que lutem. Que digam. Que sintam. Espero que sejam. Inteiros. Verdadeiros. Que se dêem. Espero que vivam.


Vivo. E não vivo. Quero aproveitar cada segundo. E às vezes sinto-me a falhar a cada segundo. Sinto-me no chão e sem forças para levantar. Sinto-me sem chão e suspensa em mãos que não me deixam cair. Continuo. Viva. A lutar. Não por ti. Não por quem não luta. Mas por mim. Continuo viva. Respiro. Corro. Fujo. Faço o meu melhor sorriso. Dou-me. Entrego-me. O melhor que sei. E também o pior que sei. Sou inteira. Sou quem fui aprendido a ser. Dou gargalhadas. Brinco. Escrevo. Para ti. Para mim. Para todos. Ouço. Leio. Danço. Liberto. Liberto-me. Liberto-te. De mim. Do que não gostas ou do que não és capaz de gostar. Deixo-me ir. Sinto. O coração a bater. Forte. Depressa. Devagar. Sinto o coração. Sinto. O vento. As palavras. A mudança. Mudo. De casa. De vida. De país. De mim. Mudo tudo. E tudo continua na mesma.


Procuro. Procura. A paz. A calma. Procura a serenidade. A pureza. A autenticidade. A ingenuidade. Procura o mundo. Desafia-te. Desafia os outros. Não demasiado. Só o suficiente. Faz. Faz acontecer. Faz de vez em quando. Faz sempre. O que quiseres. O que te apetecer. E às vezes o que não te apetecer também. Merece. A vida. A vida que te dão. Os abraços. Os mimos. Os elogios. Faz por merecer. Faz elogios. Mas não faças demais. Visita quem te deixa com um sorriso. E sorri a um perfeito desconhecido. Procura. Forças. Dentro de ti. Com os outros. Perde-te. No paraíso. Na floresta. Perde-te de amores. Perde-te no bairro alto. Perde-te no mundo. Perde-te. Procura. Por ti. Pelos outros. Pela força dos outros. Pela tua força. Pela minha força. Não desistas. De ti. Dos que te amam. Dos que te fazem feliz como nunca foste. Dos que te enchem a alma. Respira. Ar puro. Ar fresco. Ar. Muda. Muda-te. Muda-me. Vive. Deixa viver. Faz viver. Faz acontecer. Gosta. Ama. Ama-te a ti. Ama os outros. Ama a vida. Ama a mudança. Vive-a. Sente-a.

Se vais ter sorte ou azar?



É tudo uma questão de perspectiva…

14 janeiro, 2013

Pedaços de mim...


Era dia 5 de Janeiro. Levantei-me devagar da cama. Preferia que esse dia não tivesse nunca chegado. Que se tivesse perdido no meio dos festejos. No meio das palavras ditas e dos momentos vividos. Mas não. Já estava ali. Já era o dia da partida. Fiz tudo o que tinha a fazer com a maior calma que me era permitida. Quando chegou o momento, olhei para o quarto e apaguei a luz. Cada vez me pertenciam menos aqueles metros quadrados.

Virei as costas e deparei-me com a minha mãe. Esboçava um sorriso, que escondia a angústia de me ver partir. Aguentei cada lágrima que queria cair quando a abracei. Ia sentir falta deste abraço. Ia sentir falta dos mimos. Da comida. Das risadas. Ia sentir falta do conforto da casa. Saí com o maior sorriso que consegui fazer. Lá fora esperava-me o meu pai, que nunca concordou com a minha partida mas que finalmente percebeu como me tinha feito bem. Abraçou-me como se abraça alguém que se ama. Abraçou-me e deu-me os últimos conselhos que conseguiu. Também na cara dele percebi a angústia de me ver partir. Fechei a porta do carro. Era o momento. Sorri como se nunca mais os fosse ver. Não parei de acenar e ao mesmo tempo suspirei. Contive cada lágrima. Começou assim a minha aventura de 2013.


Em Portugal…

Senti mais do que nunca a distância anulada pelas amizades fortes. Pelos sorrisos partilhados. Senti que nunca tinha partido. Que tinha estado ali todos os dias com aquelas pessoas. Que me amavam de igual forma, ou talvez ainda mais um bocadinho. Senti-me amada pelos que amo também.

Foram duas semanas.

Mas no meu coração, pareceu uma eternidade.

Entre desabafos sinceros, conversas marcantes, confissões surpreendentes e maluquices saudáveis. Fui feliz. Fui muito feliz. Senti-me quase plena. Quase.
Há sempre algo que nos falta. Há sempre alguém que não vemos. Um momento que perdemos. Há sempre algo que nos falta.

Minimizei essa janela. Aproveitei cada segundo. Quase não dormi. Abracei quem queria. Sorri de felicidade. Dei gargalhadas até me doerem as bochechas. Compreendi que a minha partida também fez muitos sofrer. Ouvi. Fui ouvida. Senti que tudo fazia mais sentido.

Portugal. Meu querido Portugal. Se tivesses o emprego que eu tenho aqui. Estava a habitar-te neste momento. Junto de todos estes que me fazem feliz. Que me deixam com a certeza que a amizade é importante mas também, o trabalho. Que se não nos sentirmos realizados, dificilmente damos o nosso melhor a quem nos quer bem.

Portugal.

A aventura começou. 14 horas de viagem. 14 horas de histórias. 14 horas de aventura para começar bem o ano. Que tanto nos reserva.

2013.

Chegaste. Cada minuto teu vai ser uma nova aventura. Um novo desafio. Cada minuto teu. Cada segundo teu. Um desafio. Uma nova meta.


Riscos.

Há uma altura que temos de corrê-los. Temos de ser o nosso euromilhões. Temos de apostar em nós mais do que em qualquer outra coisa. Porque só assim. Só assim conseguiremos também dar-nos por completo. A quem amamos. A quem nos ama. Só assim seremos inteiros. Cheios de vida.

É assim que me sinto. Cheia de vida. Cheia de amor para dar e distribuir. Ainda longe. De quem quero. Dos que quero. Para distribuir todo este amor que me preenche. Ainda longe. Mas ao mesmo tempo, perto.


Fisioterapia. Trouxeste-me a vida. Trouxeste-me a vontade de viver mais. De dar mais de mim. De mostrar mais de mim aos meus. De sorrir faça sol ou faça chuva. De dar a mão a quem cai. De me entregar à vida. De me entregar a mim. De me descobrir. De descobrir quem me deixa fazê-lo. Deste-me vida.

Fico à espera do momento que me dês também a oportunidade de dar esta vida aos outros. De os fazer sorrir como eu. De lhes dar força para ultrapassar cada obstáculo. Tenho paciência. Sei que demoras de vez em quando.


Estou ainda à espera.

E esperarei com calma.

Viverei cada segundo. Quase plena. Quase feliz.

Há sempre algo que nos falta.

2013. Sê bom para mim.