30 abril, 2013

Os gostos não se discutem...


Gosto de adrenalina. Gosto de saltar de pontes. Gosto de montanhas-russas. Gosto de descobrir. Novas caras. Novas vidas. Pessoas diferentes. Caminhos desconhecidos. Gosto de me perder. Numa cidade que conheço como a palma da minha mão. Num labirinto som saída de emergência. Numa floresta com recantos escondidos. Gosto de conhecer. Vidas. Dos outros. Dos que se dão a conhecer. E dos que não se dão a conhecer também. Gosto de me envolver. De me entregar. De me dar ao mundo. De me dar. A quem me quer. A quem me quer por inteiro. Sem copos meio vazios. Mesmo que com eles meio cheios. Gosto de pessoas puras. Pessoas intensas. Pessoas verdadeiras. Gosto de um sorriso sincero e de uma lágrima de felicidade. Gosto de ultrapassar barreiras e desfazer preconceitos. Gosto de soltar uma gargalhada. Gosto dos meus amigos. De rir com eles. De estar com eles. Gosto do que me ensinam. A cada dia. A cada palavra. A cada gesto. Gosto de ser livre. Mesmo com alguém do meu lado. Gosto de me sentir livre. Gosto de me interessar. Por coisas que achava que não me interessaria. Por algo discreto. Por vidas plenas. Gosto de cores. Desde o branco ao preto. Do laranja ao verde. Gosto do arco-íris depois de umas gotas de chuva. Gosto do sol. Da praia. Da natureza. Da pureza. Gosto da simplicidade. Da autenticidade. Da ingenuidade. Gosto de Vila Real. Gosto de dançar. De olhos fechados. Gosto de deixar os pés controlarem o corpo. Gosto de vidas que se cruzam. Vidas que me ensinam. Gosto de partir à aventura. De arriscar. De inventar. Gosto de ser. Única. Verdadeira. Gosto de abraços. Que duram. Que nos marcam. Que ficam. Abraços sentidos. Abraços sinceros. Gosto de música. Alto. Para dançar. Para ouvir. Para descansar. Música. Para os meus ouvidos. Para cada minuto de movimento. Gosto de palavras. De frases. Honestas. Reais. Sentidas. Palavras de amor e, acima de tudo, cheias de amor. Gosto de conversar. Até ser de dia. Até me faltar a voz. Em sítios especiais. Gosto de miradouros. Gosto de gostar. Gosto de passear. De me encontrar. Gosto de interrails. Gosto de andar de avião. Gosto do sentimento de voltar a casa. Gosto de me sentir em casa. Gosto de encontros inesperados. Gosto de elogios simples. Gosto de saltar de pedra em pedra. Gosto de cascatas. Gosto de acampar. Gosto de conduzir. Para sítio incerto. Com destino traçado. Gosto de conhecer cidades novas. Gosto de aprender. Com uma criança de um ano. Com um velhinho de 70 e muitos. Gosto de fazer a diferença. Gosto de escrever. Gosto de ler. Palavras de conforto. Escritas sem sentido. Gosto de me sentar à beira-mar. Gosto do cheiro da praia. Gosto de Portugal. Gosto de gostar. Gosto de chinelo no pé e calção com biquíni. Gosto do calor. Gosto de comer gelado às colheradas. Gosto de um bom filme. Gosto de viver. Intensamente. Apaixonadamente. Gosto de mudar. De visual. De roupa. De vida. Gosto de sentimentos sinceros. De amores verdadeiros. De histórias sem fim. Gosto de fotografia. Gosto de festas de família. De jantaradas de faculdade. Gosto de matar saudades. Gosto do sol. Gosto dos Santos Populares. Gosto de improvisar. Gosto do Gerês. Gosto de lembranças doces. Gosto de ensinar. Gosto de momentos importantes. Gosto de viajar de barco. Gosto de ilhas. Gosto do mar. Gosto de ouvir. Desde o chilrear de um pássaro a um desabafo de um bom amigo. Gosto de organizar. Festas. Jantares. Surpresas. Gosto de dias diferentes. De encontros inesperados. De fazer piqueniques. Gosto que me surpreendam. Gosto de me sentir especial. Gosto de tatuagens. Gosto de viver cada dia como se fosse o último. Gosto de ser inteira. De ser a outra parte. De ser plena. Gosto de me encontrar. Gosto de me envolver a 200%. Gosto de ser. Gosto que me dêem a descobrir o que ainda não conheço de mim. Gosto da calma de uma sesta no sofá. Gosto de pastéis de Belém. Gosto de viajar. Gosto da nostalgia. Gosto de ser compreendida. De quem quer compreender. Gosto de concertos. Gosto de becos com saída. Gosto de não ter horas. Gosto de não deixar nada por dizer. Gosto de encontros inesperados. Gosto de combinações malucas. Gosto de brownie de chocolate. Gosto do pôr-do-sol. Gosto de pessoas simples. E de pessoas complexas. Gosto da cumplicidade. Gosto da sinceridade. Gosto de um gesto de amor. Gosto de relaxar. Gosto de pé na areia. Gosto de espaços-lounge. Gosto de sentir borboletas na barriga. Gosto de ti. Gosto de simplicidade. Gosto de bronzeados. Gosto de lugares importantes. Gosto da curiosidade. Gosto de ser. Gosto de gostar. Gosto de amar. Gosto. Porque sim. Porque posso gostar. Porque quero gostar. 

Só me falta gostar de mim...

04 abril, 2013

Corda bamba.


Respiro. Profundamente. Antes de tomar cada decisão. Antes de me convencer que por mais que custe, é o que deve ser feito. Inspiro. Expiro. Sinto cada célula do meu corpo a assimilar a informação. Devagar. Não temos nunca pressa para as decisões que mudam a nossa vida.

Temos tudo. Amigos à volta. Família mesmo ali ao lado. Um sorriso rasgado. Cafés semanais com quem gostamos. Jantaradas em casa até a manhã chegar. Confissões entre passeios perdidos em Lisboa. Em Portugal. Temos tudo. E mesmo assim falta qualquer coisa. Falta-nos sempre alguma coisa. Faltou-me o trabalho. Faltou-me a força para lutar por algo que não via ter pernas para andar. Faltou-me. Respirei. Profundamente. E parti.

6 meses. Que bem resumidos. Continuam a ser 6 meses. 6 meses de células a assimilar novas informações. 6 meses cheios de lutas interiores. 6 meses a aprender. 6 meses de pessoas a sentir a minha falta. 6 meses de saudades enormes. 6 meses. Já lá vão 6 meses. Meio ano. Meio ano em que me senti mais fisioterapeuta que em dois anos. Meio ano em que ouvi elogios. Meio ano em que me senti respeitada. Meio ano que já parece uma vida. Meio ano de decisões importantes. Meio ano de emigração. Meio ano. Isto já dura há meio ano.

Ainda há dúvidas. Vontades. Ainda há grandes espaços por preencher. Ainda há quem comente aqui e ali que não é a melhor solução. Ainda há quem me admire. Ainda há quem diga que tenho muita coragem. Não tenho nada disso. Nem razões para ser admirada. Nem coragem. Nem sei se é a melhor solução. Não sei. Ainda não sei. Mas o que sei é que é uma solução. É a solução em que sinto que a vida faz sentido. Que os quatro anos que passei em Lisboa a estudar tiveram significado. Que a escolha que fiz com os meus ligeiros 17 anos, estava acertada. É isto que eu quero. Ser fisioterapeuta. Arrancar um sorriso ao paciente mais triste. Ao que tem mais razões para não sorrir. Quero lutar com alguém. Para o pôr a andar depois de um acidente quase fatal. Para o ver correr depois de estar meses deitado numa cama sem quase se mexer. É isto que eu quero. Com todas as células do meu corpo. Sentir-me útil. Sentir-me amada. E sentir que deixo um bocadinho de mim na vida dos outros. Seja como fisioterapeuta. Como amiga. Como colega. Como irmã. Como filha. Como pessoa. O que for. Quero ter a certeza que esta foi a decisão acertada. Ainda há dúvidas. Estranho seria se não houvesse.

Células. Todos somos feitos delas. Umas mais pequenas. Outras maiores. Umas com com mais memórias. Outras com menos. Todos temos milhares de células. Todos nos usamos delas. Seja para mexer um braço. Seja para entrar num avião. Seja para experimentar coisas novas. Cada célula tem a sua memória. E são essas mesmas células que, após uma respiração profunda, nos permitem tomar uma decisão. Foram essas mesmas células. As minhas, claro está. Que me fizeram e fazem estar aqui hoje.

Continua a faltar-me a interacção com as células que deixei em Portugal. Todos deixamos células onde passamos. Continua a faltar-me o meu lindo Portugal. Do qual falo todos os dias. Continua a faltar-me a vista sobre o Tejo. As paisagens selvagens do Gerês. O conforto da casinha. A comida deliciosa. As festas loucas de faculdade. Os abraços sinceros e sentidos. Os dias de família. Os sorrisos inocentes. Os choros de alegria. Continua a faltar-me. Mas ao mesmo tempo vou preenchendo esse espaço. Com novas células. Novas pessoas. Novos sorrisos. Novas rotinas. Novas experiências. Novos amigos. Novos sentimentos. Estar distante. De Portugal. Dá-me também a oportunidade de aprender com qualquer pessoa que se cruze no meu caminho. Dá-me a oportunidade de sentir que a nossa casa é onde o nosso coração estiver. E o meu vai começando a estar aqui também. Senão não faria sentido. Estar aqui.

Já lá vão 6 meses. 6 meses em que tanta coisa mudou. Há mais para contar. Há mais para viver. Mais minutos para aproveitar. Mais alegrias para partilhar. Há mais amor para dar. Há sempre mais amor para dar. Há células mortas. E há células que renascem aos poucos. Há uma vida que se cria por detrás da que já existia. Há uma nova vida.

Aqui.
Onde estou.
Uma nova vida.
Novos momentos.

Novas células que partilho.

Nesta corda bamba.

Entre Portugal e França.



Já lá vão 6 meses…