Olhei para ti. Enquanto me agarravas dizias que eu era o que existia de
mais importante na tua vida. Demorámo-nos num abraço que terminou num beijo
doce. Uma troca de sentimentos. Intensa. Forte. Que apesar de ter durado tão
poucos segundos pareceu ter durado toda uma eternidade. Um beijo. Uma certeza.
Mudaste a minha vida. Entraste devagar no meio de conversas honestas e
brincadeiras inocentes. Devolveste-me um sorriso há muito perdido. Aos poucos
fizeste-me acreditar que o amor existia tal e qual como eu o imaginava. Quando
os teus dedos se cruzavam com os meus, o resto do mundo desaparecia por
completo. Com a maior doçura que possuías dentro de ti, abraçavas-me. Fazias
com que esse espaço reduzido aos nossos corpos fosse o meu porto seguro.
Foste-o por muito tempo. O meu porto seguro.
O amor é isso também. A segurança de sentir o outro perto. Mesmo sem lhe
tocar quando está ao nosso lado. Mesmo estando ao lado do outro. Quando está a
quilómetros de distância. Não me peças para explicar. Nunca consegui fazê-lo.
Mesmo tentando vezes sem conta. Beijava os teus lábios como se fossem os
últimos que beijaria em toda a minha vida. Adormecia feliz. Acordava plena.
Sentia-me serena como jamais experimentara. Conhecemos os lugares mais bonitos.
Fizemos promessas e planos juntos. Deste-me o mundo. Deste-me a tranquilidade
que não imaginava possuir. Foste a prolongação de mim. Um dia, foste a
prolongação do meu ser. E, também um dia, quiseste deixar de o ser.
Agora. Mesmo a quilómetros de distância. Continuo a ter-te presente na
minha vida. Continuo a ver-te a cada passo que dou. Continuo a pensar no que me
dirias a cada segundo que me questiono. Continuo a querer partilhar os pequenos
momentos contigo. Continuo a ver-te com o mesmo olhar terno com que me olhavas.
Continuo a sonhar contigo. Continuo a imaginar se seria mais fácil se não me
tivesses deixado partir assim da tua vida. Mesmo a quilómetros de distância.
Continuo a querer-te. Continuo a querer que sejas a prolongação do meu ser.
Continuo à espera que os teus dedos se cruzem com os meus. Continuo à espera de
continuar a acreditar que ainda existem amores como o nosso. Continuo a amar-te
como só se ama uma vez na vida. Continuo à espera do meu porto seguro.
Guardo em mim cada sorriso. Cada promessa. Cada momento. Cada segundo. Cada
beijo. Cada surpresa. Cada viagem. Cada pedaço de amor e de vida que me deste.
Guardo em mim tudo e perco as forças. Davas-me força. Davas-me a certeza que o
mundo fazia sentido mesmo tomando decisões difíceis. Mesmo estando a
quilómetros de distância.
Davas-me. Tudo. Deste-me tudo. E deste-me também o nada. Deixaste-me
perdida. Deixaste-me com o coração nas mãos. Deixaste-me sem vida. E
disseste-me para continuar. Que era difícil mas que tinha de ser.
Assim foi. Estou a mais de mil quilómetros de casa. Construí uma vida aqui.
Ou vou construindo. E a sensação que irás faltar sempre tu é atroz. Sigo a
minha vida. Dou cada passo ainda com mais precaução do que dava antes de teres
entrado nela. Eras tu. És tu. E serás sempre tu. Por muitos que possam vir
depois. Tenho a certeza que és o amor da minha vida. Deste-me também a coragem
de vir. De acreditar em mim. E nisso dou-te todo o mérito. Gostava também que
acreditasses em nós. Em ti. Mas não posso pedir demais.
Foste tu. Foste tu que mudaste a minha vida. E será sempre a ti que
recordarei quando me lembrar deste grande passo que dei. Foste tu que me
fizeste acreditar no amor. Tu. Talvez te devesse agradecer…
Amei-te. Entreguei-me. Dei-me.
Ainda te amo.
E ainda tenho vontade de te amar…
E tu?
