Sempre ouvi dizer. Desde que me lembro
de existir. Fosse em filmes. Ou fosse a colega de carteira.
‘É como se tivesse borboletas na barriga’.
Achava estranho. Borboletas na barriga?
A expressão por si só era bonita. Mas o que seria ter borboletas na barriga? A
questão foi ganhando resposta há medida que à minha volta as pessoas se iam
apaixonando. Mas eu também queria sentir. Também queria ter borboletas na
barriga. Fosse lá o que isso fosse.
Nervosismo. Ansiedade. Felicidade. O que
seria? Fui descobrindo aos poucos. Contigo. Desde que os teus lábios tocaram os
meus. Naquela noite. A noite. Seguiram-se encontros. Abraços. Momentos.
Seguiram-se sensações estranhas. Únicas. Seguiram-se minutos. Horas. Dias. De
felicidade. De sorrisos rasgados. De segundos intensos. Seguiram-se trocas de
segredos. E partilhas de mimos.
Achei que já sabia o que era. Essas
borboletas. As borboletas na barriga que toda a gente falava. Mas por alguma
razão a sensação não era a que eu imaginava. Era muito mais que borboletas. Era
um misto de nervosismo, ansiedade, felicidade, amor. Era um misto de
sentimentos que se rebolava barriga acima. Barriga abaixo. Não eram borboletas
a voar. Não podiam ser só borboletas. Eram borboletas, pirilampos, gatos, cães,
tartarugas, canários, elefantes. Eram cigarras, coelhos, patos. Eram pandas,
águias, cavalos. Eram golfinhos, pinguins, caracóis.
Era todo um jardim zoológico que me
invadia. E como domesticar este jardim zoológico?
Cada segundo que se descontava no tempo
de ir ter contigo, um animal novo juntava-se à festa. Percebi que quem sentia
só borboletas ainda tinha muito para descobrir. Percebi que tinha tido sorte.
Percebi que me tinha saído o melhor
tesouro.
O mais incrível é que ainda hoje. Em
cada segundo que vai passando para te ver. Se vai acrescentando um animal a
esta sensação. Ainda hoje.
Ainda o mês passado. Assim que te senti.
Assim que te senti. Senti todos os animais do zoo. Acordaste-os todos apenas com
aquele abraço. O teu abraço. O nosso abraço.
E o que seria da minha vida sem esse
abraço? Que tanto me protege. Que tanto me envolve…
Borboletas. Continuem a voar pelas
barrigas dos outros. Eu prefiro o meu zoo. Prefiro toda esta intensidade de
sentimentos. Toda esta vontade de te ver. De te tocar. De estar do teu lado.
As borboletas não são suficientes para
nos descrever.
As borboletas vão ficando cada vez mais
acompanhadas. À medida que os segundos passam. À medida que os dias se vão
descontando.
AMOR.
OBRIGADA por te teres apresentado.
OBRIGADA por me ofereceres um jardim
zoológico.
Quando há amor. Até um jardim zoológico
é o melhor presente do mundo. Só um jardim zoológico pode descrever um
verdadeiro amor.