13 janeiro, 2014

Nenhum medo pára um sonho.

No outro dia lembrei-me de ti. Tinha uma paciente à minha frente que tremia. Não era medo. Antes fosse, pensei eu. E falei com ela. Como nunca pude falar contigo. Fui imediatamente transportada para aqueles tempos que misturavas o Francês com o Português. Que me mandavas comprar palitos em vez de fósforos e que me ensinavas a jogar às pedrinhas na praia. O tempo passou.

Estás bem longe. E vou precisar de muito mais que umas férias de Verão para te poder visitar. A ti e a eles. 
Custa sempre mais aqui sabes? Não sei como é que vocês fizeram tantos anos, mas gostava de descobrir esse segredo. Espero descobri-lo um dia. 

Mudamos de vida, às vezes, como quem muda de camisa. Dizemos que não é tão difícil como parece. Sorrimos. Contamos histórias e damos a entender que estamos num conto de fadas. E é, de um certo modo. Mas como suportar o outro lado da moeda. As dificuldades. Os desafios. Os obstáculos... Ainda não descobri. Acordo todos os dias a pensar nisso. Hoje era um bom dia para ser feliz. E depois penso. Ainda não é hoje.Não se pode ter tudo, dizem os sábios. E é verdade. Sabia disso. Sei disso e vou continuar a saber. Mas não é a sabedoria nem as frases feitas que vão tornar esta jornada mais fácil.

A distância faz crescer. E diminui quando escrevo uma carta. Quando falo ao telefone. Quando ligo o skype. Mas é apenas isso. Uma distância. Que apesar de tudo se impõe à impulsividade dos sentimentos. 

Caminho sem sentir os pés a avançar. Vejo sem prestar atenção ao que está à minha frente. Aprendo sem me lembrar do que já sabia. Sorrio sem a simplicidade habitual. Continuo sem saber para onde. Mas continuo. Porque só assim vou chegar onde quero. Mesmo que ainda não saiba onde está esse sítio.

O medo revelou-se. Demorou. Veio de mansinho. Mas entrou pela porta de minha casa e agora insiste em ficar. Às vezes temos de encará-lo de frente e dizer-lhe para sair. Sem convidar. Empurrá-lo à força nem que seja pela janela. Respirar com calma e seguir em frente. Voltar a sentir. A sorrir. A andar. Voltar a ser. A ver. A fazer. Lembro-me do teu sorriso. Da palmada que me darias se me visses assim. Lembro-me da doçura dos teus olhos e da preocupação dos teus gestos. Lembro-me de como me diziam que era parecida contigo. Impulsiva. Maluca. Acho que sou. Acho que me passaste tudo o que podias. E ainda assim, ainda que te sinta tanto em mim e que me lembre de ti quando vejo esta senhora. Tenho tantas saudades tuas.

A vida continua a passar. Sinto a passá-la por mim. Ou melhor, não sinto. Foi cada aniversário. Cada festa. Cada momento que perdi. Sinto-me incompleta. Sinto-me menos quando me devia sentir mais. Quero dar um passo mas as pernas não avançam. Quero sorrir mas os músculos não se contraem. E como fazemos. Como fazemos quando perdemos o controlo? O controlo sobre cada gesto? Acho que me saberias responder a isto. E seria tão mais fácil se ouvisse essa resposta. 


Vou chegar um dia. Talvez sozinha. Vou responder como se fosses tu. Vou vencer. Vou abraçar aqueles olhos doces dos teus bisnetos. Vou esborrachar os pais. Vou fazer palhaçadas com as manas. Vou sorrir junto dos meus amigos. Vou respirar. Vou sentir uma calma pura. Vou viver. Um dia vou perceber o porquê desta jornada difícil. Um dia vou perceber porque uns dias parecem mais longos que outros e nesse dia também vou lembrar-me de vocês. Vou dar o melhor de mim. Sorrir. Dançar. Pular. Vou ser saltarica. Vou descobrir novos mundos. Vou ser. Eu. Sem medos. Vou saltar de um avião. Vou enchê-lo de amor. Vou apaixonar-me por cada gesto. Ser livre. De espírito. De mente. Vou vencer cada dificuldade. Vou subir ao pico mais alto. Vou atirar-me de cabeça. Vou entregar-me. Mais. Vou pintar mais cores. Tirar fotografias. Gravar memórias. Vou chatear-me. Menos. Ou mais, dependendo da pessoa. Vou viajar. Em mim. Comigo. Com ele. Com eles. Vou descobrir. Vou corar. Vou abraçar. Vou chorar de alegria. Vou lutar. Sem desistir. Seguir em frente. Por ti. Sem medos. Sem tremores. Sem lamúrias. Sem dor. Um dia vou chegar. Prometo.


Esperas por mim?


07 setembro, 2013

Breath in. Breath out.

Hoje não me apetece escrever muito. Hoje só queria que mil quilómetros e picos se traduzissem em 1 centímetro e picos. Hoje só queria.

Cada experiência traz com ela. Coisas boas. Coisas más. Temos de saber escolher as boas. Saber viver nelas. Para elas. Com elas. E temos de saber ignorar as más. De passar por cima delas. De aprender com elas. Temos de viver. Mas também temos de sobreviver.

E o que fazer quando chegamos à fase má? O que fazer quando queremos ter o mundo na mão? ‘Não penses nisso’ digo para mim. Sussurro entre estas quatro paredes. Nada é perfeito. Alcanças um bem e os outros partem. Ou tu partes. Alcanças um bem e com ele vêm também pequenas sementes. Tens de semeá-las. Tens de as tratar bem. De as regar. De as fazer crescer. E, como tudo na vida. Tens de esperar. Que com elas venham mais bens. Que com elas. Saibas o que fazer.


Quando tens tudo, não sabes ser feliz. Quando não tens tudo. Falta-te sempre algo para ser feliz. Hoje. Como todos os dias. Faltam-me vocês. Faltas-me tu e a protecção do teu abraço. Faltas-me tu e as caretas iguais sem estarmos a contar. Faltas-me tu e a tua calma mesmo quando temos pressa. Faltas-me tu e os teus momentos twilight. Faltas-me tu e a nossa osmose de expressões. Faltas-me tu e os nossos ‘Eu amo você’. Faltas-me tu e os teus sonhos de viajante pelo mundo. Faltas-me tu e as tuas palavras sempre tão verdadeiras e cheias de razão. Faltas-me tu e a tua gargalhada ainda tão inocente. Faltas-me tu e o teu grito ‘madrinha’. Faltas-me tu e as tuas expressões que me deixam com dores nas bochechas de tanto rir. Faltas-me tu e os nossos brindes. Faltam vocês e os momentos de família. Faltas tu e falto eu. Hoje falto eu. Porque eu. Eu só sou completa com vocês. 

Hoje falto eu.
E por isso, hoje não há muito mais para dizer.
A fisioterapia é isto. Eu já sei que sou feliz aqui. Com a fisioterapia. Eu já sei o que é. A fisioterapia. Posso só levá-la para ao pé de vocês?

15 agosto, 2013

Borboletas.

Sempre ouvi dizer. Desde que me lembro de existir. Fosse em filmes. Ou fosse a colega de carteira.

‘É como se tivesse borboletas na barriga’.

Achava estranho. Borboletas na barriga? A expressão por si só era bonita. Mas o que seria ter borboletas na barriga? A questão foi ganhando resposta há medida que à minha volta as pessoas se iam apaixonando. Mas eu também queria sentir. Também queria ter borboletas na barriga. Fosse lá o que isso fosse.

Nervosismo. Ansiedade. Felicidade. O que seria? Fui descobrindo aos poucos. Contigo. Desde que os teus lábios tocaram os meus. Naquela noite. A noite. Seguiram-se encontros. Abraços. Momentos. Seguiram-se sensações estranhas. Únicas. Seguiram-se minutos. Horas. Dias. De felicidade. De sorrisos rasgados. De segundos intensos. Seguiram-se trocas de segredos. E partilhas de mimos.

Achei que já sabia o que era. Essas borboletas. As borboletas na barriga que toda a gente falava. Mas por alguma razão a sensação não era a que eu imaginava. Era muito mais que borboletas. Era um misto de nervosismo, ansiedade, felicidade, amor. Era um misto de sentimentos que se rebolava barriga acima. Barriga abaixo. Não eram borboletas a voar. Não podiam ser só borboletas. Eram borboletas, pirilampos, gatos, cães, tartarugas, canários, elefantes. Eram cigarras, coelhos, patos. Eram pandas, águias, cavalos. Eram golfinhos, pinguins, caracóis.

Era todo um jardim zoológico que me invadia. E como domesticar este jardim zoológico?

Cada segundo que se descontava no tempo de ir ter contigo, um animal novo juntava-se à festa. Percebi que quem sentia só borboletas ainda tinha muito para descobrir. Percebi que tinha tido sorte.

Percebi que me tinha saído o melhor tesouro.

O mais incrível é que ainda hoje. Em cada segundo que vai passando para te ver. Se vai acrescentando um animal a esta sensação. Ainda hoje.

Ainda o mês passado. Assim que te senti. Assim que te senti. Senti todos os animais do zoo. Acordaste-os todos apenas com aquele abraço. O teu abraço. O nosso abraço.

E o que seria da minha vida sem esse abraço? Que tanto me protege. Que tanto me envolve…

Borboletas. Continuem a voar pelas barrigas dos outros. Eu prefiro o meu zoo. Prefiro toda esta intensidade de sentimentos. Toda esta vontade de te ver. De te tocar. De estar do teu lado.

As borboletas não são suficientes para nos descrever.

As borboletas vão ficando cada vez mais acompanhadas. À medida que os segundos passam. À medida que os dias se vão descontando.

AMOR.

OBRIGADA por te teres apresentado.

OBRIGADA por me ofereceres um jardim zoológico.


Quando há amor. Até um jardim zoológico é o melhor presente do mundo. Só um jardim zoológico pode descrever um verdadeiro amor.


06 junho, 2013

Pede um desejo...


Bastou um segundo. Bastou um telefonema. Bastou um abraço. Bastou uma palavra. Bastou um sorriso. Bastou um segundo…
7h40 da manhã. Aterro em Lisboa. E sei, de imediato. Que estou onde pertenço. Tudo aqui, neste Portugal tão meu me deixa com a maior vontade do mundo de voltar. Bastou um segundo. Bastou olhar pela janela do pequeno avião que me trouxe de volta.
São as cores? Não sei. São as pessoas? Não sei. É a família? Não sei. É o conforto? Não sei. É a alegria? Não sei. Será o destino? Não sei. É tudo. TU-DO. Sem tirar nem pôr.

São os amigos. Os jantares. Os sorrisos. Os telefonemas. Os encontros de metro. São os dias de família. As festas. São as cores de Lisboa. E os contrastes das Beiras. São as viagens de autocarro. É a simpatia de cada personagem. É a facilidade de expressão. É Lisboa. É a Guarda. É Portugal. De lés a lés. Do sul ao norte. É Portugal…

Aqui. O sorriso é mais fácil. Os abraços mais sinceros. Os segredos melhor partilhados. Aqui. Tudo está próximo. Tudo está aqui ao lado. Aqui. Tudo é bom. São os pastéis de Belém. São os sorrisos dos que amo. Aqui. Até eu sou feliz.

Portugal.
Meu Portugal.
Não me fujas mais.
Não me leves quem amo.

Bastou um segundo. Para me voltar a apaixonar. Para perceber. Bastou um segundo para saber. Um abraço. Uma conversa. Bastou uma manhã.

Rir. Sem parar. Até chorar. Rir de tudo. Abraçar com sentimento. Dar. Tudo. Ser melhor. Ser mais. Ser eu. Dançar. Porque sim. Porque me apetece. Porque estou feliz. Ouvir. Ouvir-te. A ti. A ele. A ela. Ouvir as palavras de saudade. Os desabafos. Ouvir as vozes de amizade. Sentir. Cada minuto. Guardar cada minuto. Viver cada minuto. Ser. Melhor. A cada minuto. Sou-o. A cada minuto. Onde? Aqui. Onde sei que pertenço. Onde me fazem sentir amada. Aqui onde amo cada pedaço do que vejo. Cada metro que caminho.
Vou voltar.
Vou voltar um dia.

Quero. Voltar. Pode esse dia chegar rápido?

Portugal. Só preciso de um segundo. Um segundo longe de ti. Só preciso de um segundo para sentir o agridoce da SAUDADE.

Queres que volte?



Deixas-me voltar? Um dia…

30 abril, 2013

Os gostos não se discutem...


Gosto de adrenalina. Gosto de saltar de pontes. Gosto de montanhas-russas. Gosto de descobrir. Novas caras. Novas vidas. Pessoas diferentes. Caminhos desconhecidos. Gosto de me perder. Numa cidade que conheço como a palma da minha mão. Num labirinto som saída de emergência. Numa floresta com recantos escondidos. Gosto de conhecer. Vidas. Dos outros. Dos que se dão a conhecer. E dos que não se dão a conhecer também. Gosto de me envolver. De me entregar. De me dar ao mundo. De me dar. A quem me quer. A quem me quer por inteiro. Sem copos meio vazios. Mesmo que com eles meio cheios. Gosto de pessoas puras. Pessoas intensas. Pessoas verdadeiras. Gosto de um sorriso sincero e de uma lágrima de felicidade. Gosto de ultrapassar barreiras e desfazer preconceitos. Gosto de soltar uma gargalhada. Gosto dos meus amigos. De rir com eles. De estar com eles. Gosto do que me ensinam. A cada dia. A cada palavra. A cada gesto. Gosto de ser livre. Mesmo com alguém do meu lado. Gosto de me sentir livre. Gosto de me interessar. Por coisas que achava que não me interessaria. Por algo discreto. Por vidas plenas. Gosto de cores. Desde o branco ao preto. Do laranja ao verde. Gosto do arco-íris depois de umas gotas de chuva. Gosto do sol. Da praia. Da natureza. Da pureza. Gosto da simplicidade. Da autenticidade. Da ingenuidade. Gosto de Vila Real. Gosto de dançar. De olhos fechados. Gosto de deixar os pés controlarem o corpo. Gosto de vidas que se cruzam. Vidas que me ensinam. Gosto de partir à aventura. De arriscar. De inventar. Gosto de ser. Única. Verdadeira. Gosto de abraços. Que duram. Que nos marcam. Que ficam. Abraços sentidos. Abraços sinceros. Gosto de música. Alto. Para dançar. Para ouvir. Para descansar. Música. Para os meus ouvidos. Para cada minuto de movimento. Gosto de palavras. De frases. Honestas. Reais. Sentidas. Palavras de amor e, acima de tudo, cheias de amor. Gosto de conversar. Até ser de dia. Até me faltar a voz. Em sítios especiais. Gosto de miradouros. Gosto de gostar. Gosto de passear. De me encontrar. Gosto de interrails. Gosto de andar de avião. Gosto do sentimento de voltar a casa. Gosto de me sentir em casa. Gosto de encontros inesperados. Gosto de elogios simples. Gosto de saltar de pedra em pedra. Gosto de cascatas. Gosto de acampar. Gosto de conduzir. Para sítio incerto. Com destino traçado. Gosto de conhecer cidades novas. Gosto de aprender. Com uma criança de um ano. Com um velhinho de 70 e muitos. Gosto de fazer a diferença. Gosto de escrever. Gosto de ler. Palavras de conforto. Escritas sem sentido. Gosto de me sentar à beira-mar. Gosto do cheiro da praia. Gosto de Portugal. Gosto de gostar. Gosto de chinelo no pé e calção com biquíni. Gosto do calor. Gosto de comer gelado às colheradas. Gosto de um bom filme. Gosto de viver. Intensamente. Apaixonadamente. Gosto de mudar. De visual. De roupa. De vida. Gosto de sentimentos sinceros. De amores verdadeiros. De histórias sem fim. Gosto de fotografia. Gosto de festas de família. De jantaradas de faculdade. Gosto de matar saudades. Gosto do sol. Gosto dos Santos Populares. Gosto de improvisar. Gosto do Gerês. Gosto de lembranças doces. Gosto de ensinar. Gosto de momentos importantes. Gosto de viajar de barco. Gosto de ilhas. Gosto do mar. Gosto de ouvir. Desde o chilrear de um pássaro a um desabafo de um bom amigo. Gosto de organizar. Festas. Jantares. Surpresas. Gosto de dias diferentes. De encontros inesperados. De fazer piqueniques. Gosto que me surpreendam. Gosto de me sentir especial. Gosto de tatuagens. Gosto de viver cada dia como se fosse o último. Gosto de ser inteira. De ser a outra parte. De ser plena. Gosto de me encontrar. Gosto de me envolver a 200%. Gosto de ser. Gosto que me dêem a descobrir o que ainda não conheço de mim. Gosto da calma de uma sesta no sofá. Gosto de pastéis de Belém. Gosto de viajar. Gosto da nostalgia. Gosto de ser compreendida. De quem quer compreender. Gosto de concertos. Gosto de becos com saída. Gosto de não ter horas. Gosto de não deixar nada por dizer. Gosto de encontros inesperados. Gosto de combinações malucas. Gosto de brownie de chocolate. Gosto do pôr-do-sol. Gosto de pessoas simples. E de pessoas complexas. Gosto da cumplicidade. Gosto da sinceridade. Gosto de um gesto de amor. Gosto de relaxar. Gosto de pé na areia. Gosto de espaços-lounge. Gosto de sentir borboletas na barriga. Gosto de ti. Gosto de simplicidade. Gosto de bronzeados. Gosto de lugares importantes. Gosto da curiosidade. Gosto de ser. Gosto de gostar. Gosto de amar. Gosto. Porque sim. Porque posso gostar. Porque quero gostar. 

Só me falta gostar de mim...

04 abril, 2013

Corda bamba.


Respiro. Profundamente. Antes de tomar cada decisão. Antes de me convencer que por mais que custe, é o que deve ser feito. Inspiro. Expiro. Sinto cada célula do meu corpo a assimilar a informação. Devagar. Não temos nunca pressa para as decisões que mudam a nossa vida.

Temos tudo. Amigos à volta. Família mesmo ali ao lado. Um sorriso rasgado. Cafés semanais com quem gostamos. Jantaradas em casa até a manhã chegar. Confissões entre passeios perdidos em Lisboa. Em Portugal. Temos tudo. E mesmo assim falta qualquer coisa. Falta-nos sempre alguma coisa. Faltou-me o trabalho. Faltou-me a força para lutar por algo que não via ter pernas para andar. Faltou-me. Respirei. Profundamente. E parti.

6 meses. Que bem resumidos. Continuam a ser 6 meses. 6 meses de células a assimilar novas informações. 6 meses cheios de lutas interiores. 6 meses a aprender. 6 meses de pessoas a sentir a minha falta. 6 meses de saudades enormes. 6 meses. Já lá vão 6 meses. Meio ano. Meio ano em que me senti mais fisioterapeuta que em dois anos. Meio ano em que ouvi elogios. Meio ano em que me senti respeitada. Meio ano que já parece uma vida. Meio ano de decisões importantes. Meio ano de emigração. Meio ano. Isto já dura há meio ano.

Ainda há dúvidas. Vontades. Ainda há grandes espaços por preencher. Ainda há quem comente aqui e ali que não é a melhor solução. Ainda há quem me admire. Ainda há quem diga que tenho muita coragem. Não tenho nada disso. Nem razões para ser admirada. Nem coragem. Nem sei se é a melhor solução. Não sei. Ainda não sei. Mas o que sei é que é uma solução. É a solução em que sinto que a vida faz sentido. Que os quatro anos que passei em Lisboa a estudar tiveram significado. Que a escolha que fiz com os meus ligeiros 17 anos, estava acertada. É isto que eu quero. Ser fisioterapeuta. Arrancar um sorriso ao paciente mais triste. Ao que tem mais razões para não sorrir. Quero lutar com alguém. Para o pôr a andar depois de um acidente quase fatal. Para o ver correr depois de estar meses deitado numa cama sem quase se mexer. É isto que eu quero. Com todas as células do meu corpo. Sentir-me útil. Sentir-me amada. E sentir que deixo um bocadinho de mim na vida dos outros. Seja como fisioterapeuta. Como amiga. Como colega. Como irmã. Como filha. Como pessoa. O que for. Quero ter a certeza que esta foi a decisão acertada. Ainda há dúvidas. Estranho seria se não houvesse.

Células. Todos somos feitos delas. Umas mais pequenas. Outras maiores. Umas com com mais memórias. Outras com menos. Todos temos milhares de células. Todos nos usamos delas. Seja para mexer um braço. Seja para entrar num avião. Seja para experimentar coisas novas. Cada célula tem a sua memória. E são essas mesmas células que, após uma respiração profunda, nos permitem tomar uma decisão. Foram essas mesmas células. As minhas, claro está. Que me fizeram e fazem estar aqui hoje.

Continua a faltar-me a interacção com as células que deixei em Portugal. Todos deixamos células onde passamos. Continua a faltar-me o meu lindo Portugal. Do qual falo todos os dias. Continua a faltar-me a vista sobre o Tejo. As paisagens selvagens do Gerês. O conforto da casinha. A comida deliciosa. As festas loucas de faculdade. Os abraços sinceros e sentidos. Os dias de família. Os sorrisos inocentes. Os choros de alegria. Continua a faltar-me. Mas ao mesmo tempo vou preenchendo esse espaço. Com novas células. Novas pessoas. Novos sorrisos. Novas rotinas. Novas experiências. Novos amigos. Novos sentimentos. Estar distante. De Portugal. Dá-me também a oportunidade de aprender com qualquer pessoa que se cruze no meu caminho. Dá-me a oportunidade de sentir que a nossa casa é onde o nosso coração estiver. E o meu vai começando a estar aqui também. Senão não faria sentido. Estar aqui.

Já lá vão 6 meses. 6 meses em que tanta coisa mudou. Há mais para contar. Há mais para viver. Mais minutos para aproveitar. Mais alegrias para partilhar. Há mais amor para dar. Há sempre mais amor para dar. Há células mortas. E há células que renascem aos poucos. Há uma vida que se cria por detrás da que já existia. Há uma nova vida.

Aqui.
Onde estou.
Uma nova vida.
Novos momentos.

Novas células que partilho.

Nesta corda bamba.

Entre Portugal e França.



Já lá vão 6 meses…

09 março, 2013

Ousar viver...


A vida pede-te todos os dias para escolheres. Escolhes ser feliz. Escolhes correr riscos. Escolhes esconder-te. Escolhes. Para o bem ou para o mal. Tens todos os dias. A cada segundo. O poder de decidir. O que se irá passar no segundo a seguir da tua vida. Podes arriscar. Podes apostar mais alto. Ou podes simplesmente ficar sentado. A ver as decisões dos outros. As boas. As más. As que mudavas. As que farias exactamente da mesma forma.

O que será melhor?
Para ti.
Para os outros.
Para o mundo.
Para ti.

Arrisca. A vida são mesmo dois dias. Não os podes desperdiçar a admirar cada decisão errada do companheiro do lado. Não podes arrepender-te. Não há tempo para isso. Vive. Do ar que te envolve. Da mão que te empurra. Do chão que não te deixa cair. Escolhe. O bem. O mal. Viver. Deixar andar. Escolhe o que te faz feliz. O que te corta a respiração. O que te faz brilhar os olhos. O que te deixa entre uns segundos de loucura e uma vida eterna de felicidade. Escolhe viver. Intensamente. Delicadamente. Dedicadamente. Escolhe ser. Verdadeiro. Único. Autêntico. Escolha a genuinidade e a ingenuidade. Escolhe a vida simples. A vida sem grandes objectos mas cheia de afectos. Escolhe o sorriso. Abraça as lágrimas que caem. E permite que apenas sejam de alegria. Arrisca. Põe o pé fora da zona de conforto e sente a corrente de ar que te faz hesitar. Arrisca a ousadia. Arrisca a sanidade. Arrisca. Permite-te ser feliz. Festeja o sonho. Realiza o teu maior desejo. Antes que seja tarde demais. Não deixes ninguém fugir. Ou melhor deixa. Mas deixa só os que não valem a pena. Guarda os outros. Vive os outros. Respira os outros. A cada segundo. Enquanto os tens perto. Enquanto estão longe. Vive-os. Vive com eles. Vive deles. Vive para eles. Vive. Revive. Diz. Sente. Cada movimento. Cada passo em frente. Cada letra proferida. Arrisca. Escolhe. Por ti. Contigo. Para os outros. Com os outros. Pelos outros. Para ti.

Mostra ao mundo as escolhas que fizeste. Tira proveito delas. Arrisca a cada dia um movimento diferente. Uma técnica diferente. Arrisca a mudança. Sê a mudança. Inventa um passo novo. Saltarica. Oferece um sorriso. De graça. Porque estás feliz. Porque estás triste. Ousa oferecê-lo. Senti-lo.

Hoje pode ser o dia que arriscas mudar. Que arriscas ficar sozinha. Que escolhes o difícil em vez do fácil. Que decides partir em vez de ficar. Hoje pode ser um dia penoso. Ou pode ser apenas mais um dia. Apenas mais uma oportunidade. De seres feliz. De viveres. Novas vidas. De novas formas. Hoje pode ser o dia.

O dia.
Que sorris.
Que és feliz.
Que escolhes.
Que és.
Que arriscas.
Que saltas.
Que dás o passo.

Hoje pode ser o dia. O primeiro do resto de toda a tua vida. Basta escolheres. Basta ousares. E arriscares.

Já o fiz. Ousei. Mais uma vez. O risco. A mudança. A partida. A ausência. A perda. Arrisquei. A vida. Vivi. Vivo e sobrevivo. Os obstáculos ficam mais altos. As pessoas ficam mais longe. Escolhi. Nova vida. Novos objectivos. Nova rota. Tudo muda um dia. Tal como tudo acaba. E aos poucos a vida como eu a conhecia até há 5 meses atrás mudou. Fez-me acreditar que posso ir mais além. Que sou. Para além de uma simples egitaniense. Também uma Portuguesa. Para além de uma recém-licenciada. Também uma fisioterapia que agrada os que se metem em suas mãos.

Aprendi.
Ainda estou a aprender. A dar estes pequenos passos. Sozinha. Ainda estou a aprender a ter coragem. A ter orgulho. Aprendi.

Mas ainda continuo a ter muito para aprender.
Uma vida inteira para arriscar.

Quem quer arriscar comigo?